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Sandro 3õ - Arqueiro Zen, 38 anos, zen budista, galo no chinês, signo de virgem, ascendente em leão, lua em aquário
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A ARTE CAVALHEIRESCA DO ARQUEIRO ZEN
AMOR
Texto extraído da obra "Megaconsciência" de Saburo Okada

O que é? Onde está? Quem tem? Que faz o amor? Quando acontece o amor?
O amor não é sensação, sexo, atração, emoção, sentimento, paixão, senso, amizade, ciúme, auto-estima, posse ou domínio, os quais são meras ferramentas para se poder compreendê-lo.
A sexualidade e o sexo, por exemplo, são necessidades fisiológicas, afetivas, sensíveis, físicas. Nessas relações são da mais alta importância as vontades, atrações, contatos físicos, as reações de afetividade, sensações, as emoções, excitações, expectativas, alegrias, prazeres orgásticos, a libido, primando-se pela reprodução, equilíbrio, saúde, energia e pelo estar bem no aqui e agora com alguém.
A paixão é uma coleção de sentimentos vivenciados na busca, posse e domínio do seu objetivo. O seu sentido é realizar um ardente desejo, fantasia ou sonho e poder desfrutá-lo. Daí, a paixão ser negativa ou positiva. E os seus sentimentos provêm das emoções prorrogadas e do desejo relativo a ser resolvido ou satisfeito, a contento ou não. A paixão implica a ação, a investida, a busca, a vontade não saciada, a procura de satisfação, o desejo, a persecução, a motivação e o dinamismo passional. Por isso, sofre-se ou contenta-se, decepciona-se ou satisfaz-se, apavora-se ou encoraja-se, tem-se ansiedade, angústia, estresse, depressão, entusiasmo, tristeza, ódio, ciúme, vingança, inveja, inconformismo, fossa, fissura, euforia, pique, culpa, remorso, tédio, melancolia, obsessão, domínio, posse, fúria, fracasso, auto-estima, desprezo, pesar, intransigência, orgulho, arrogância, fé, inquietação, revolta, teimosia, ilusão, decepção, frustração, auto-engano, atrevimento, audácia, arrojo, etc. Assim, a paixão é necessidade afetiva que pode ser negativa ou positiva, repita-se. O excesso ou a falta de paixão pode prejudicar.
A paixão é positiva quando equilibrada, correspondida e procura não causar perdas nem a si e nem ao seu objeto.
A amizade é senso de paz com simpatia, atração psíquica, empatia, estima e consideração dirigida pelo indivíduo ou por uma coletividade a uma ou mais pessoas, grupos ou entidades. As reciprocidades desses fatores aproximam as pessoas entre si, solidificando as relações de amizade. A simpatia mútua entre duas ou mais pessoas, independentemente de sexo, faz gerar as relações sociais íntimas e racionais, entre si. Nesse passo, se sentem muito bem quando próximos um do outro ou quando compartilham, juntos, uma ocasião ou um tempo em divertimentos, passeios, passatempos, conversas, lazer, ou em afazeres e auxílios mútuos.
Na amizade predominantemente racional compartilham-se os mesmos ideais e atividades indefinidamente. Nas amizades que se estreitam para as relações mais íntimas, compartilham-se os espaços cada vez mais comuns, com a tácita permissão, além dos momentos juntos que se alongam, sejam maus ou bons. Mas, é nos maus momentos que se reconhecem quais são os autênticos amigos.
Contudo, há limite no sacrifício, na prestação de serviço e nos favores incondicionais. O caráter da amizade recíproca saudável está na lealdade, sinceridade e fraternidade dentro das possibilidades e capacidades de cada qual, sem abusos, maldades e manipulações.
O amor é muito mais do que tudo isso aí. É estado de afeição que conduz o indivíduo a efetivar, incondicionalmente, um benefício qualquer, todavia, sempre em função de querer bem a uma pessoa em particular ou mais pessoas, à coletividade, à humanidade, também às coisas e à natureza. No ato a realizar com amor observa-se a boa qualidade, a disciplina, a tempestividade, a energia direcionada, o acontecimento justo, o respeito e o cuidado.
É o fazer, o acontecer e o construir com maturidade, certeza, eficiência, eficácia, elegância e consciência, significando certamente o querer bem incondicional, de maneira contínua. Por isso, o amor está tão-só presente no interior da pessoa enquanto ama. Quem ama ocupa-se de viver e cuida do bem e muito bem, não só para si, à coisa ou pessoa amada, em especial, mas também contribuindo para o geral, realizando-o em todos os momentos, integralmente. Quem ama sabe muito bem o que se faz, como faz, para que e para quem faz e faz acontecer o benefício sem auto-ilusão, com fé, conhecimento, juízo, auto-estima e consciência, com determinação, equanimidade, vontade, decisão, ânimo, disposição, entusiasmo, pureza de espírito e incondicionalidade.
O amor é espontâneo e incondicional de qualquer das partes. Não faz da pessoa amada um objeto de posse e domínio não obrigando e nem exigindo reciprocidade e submissão como ocorre com a paixão. Por isso, o amor não pode ser paixão, embora tenham coisas em comum. O amor é histórico porque faz a história do par de enamorados, da comunidade coesa e da humanidade que o pleiteia. E, é, ainda, autônomo pelo seu caráter unilateral que absorve e compreende a sua individualidade e a sua universalidade. Contudo, amá-la e por ela ser amado é um bem inestimável.
Além disso, quem está com o amor está com a inteligência no seu objeto sabendo, por isso, administrar bem o perdão, a caridade e o dar de si, fazendo-o na ocasião certa.
O amor está presente justamente naquele enquanto assim reage, age, atua e acontece, isto é, no seu subjeto orientando-o nas suas interações com o meio ambiente no sentido da realização do benefício incondicional.
Só podem ter o amor, sempre, aqueles que contemplam, importam, cuidam e gostam das pessoas, coisas, animais, da natureza, da verdade, da inteligência, da beleza e ocupam-se de fazer-lhes o bem, querendo, por inteiro e de modo contínuo.



Fevereiro 2, 2008