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Sandro 3õ - Arqueiro Zen, 38 anos, zen budista, galo no chinês, signo de virgem, ascendente em leão, lua em aquário
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A ARTE CAVALHEIRESCA DO ARQUEIRO ZEN
REDAÇÂO
(Usando sua imaginação)

"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino,
com um aspecto plural,
com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.
E o artigo era bem definido,
feminino,
singular:
era ainda novinha,
mas com um maravilhoso predicado nominal.
Era ingênua,
silábica,
um pouco átona,
até ao contrário dele:
um sujeito oculto,
com todos os vícios de linguagem,
fanáticos por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação:
os dois sozinhos,
num lugar sem ninguém ver e ouvir.
E sem perder essa oportunidade,
começou a se insinuar,
a perguntar,
a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado,
e permitiu esse pequeno índice.
De repente,
o elevador pára,
só com os dois lá dentro:
ótimo,
pensou o substantivo,
mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.
Pouco tempo depois,
já estavam bem entre parênteses,
quando o elevador recomeça a se movimentar:
só que em vez de descer,
sobe e pára justamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal,
e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema,
e ficaram alguns instantes em silêncio,
ouvindo uma fonética clássica,
bem suave e gostosa.
Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram conversando,
sentados num vocativo,
quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando,
ele foi usando seu forte adjunto adverbial,
e rapidamente chegaram a um imperativo,
todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar,
ela tremendo de vocabulário,
e ele sentindo seu ditongo crescente:
se abraçaram, numa pontuação tão minúscula,
que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula;
ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
É claro que ela se deixou levar por essas palavras,
estava totalmente oxítona às vontades dele,
e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos,
carícias,
parônimos e substantivos,
ele foi avançando cada vez mais:
ficaram uns minutos nessa próclise,
e ele,
com todo o seu predicativo do objeto,
ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular,
ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono,
sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisso a porta abriu repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício.
Ele tinha percebido tudo,
e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois,
que se encolheram gramaticalmente,
cheios de preposições,
locuções e exclamativas.
Mas ao ver aquele corpo jovem,
numa acentuação tônica,
ou melhor,
subtônica,
o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam,
e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.
O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal.
Que loucura, minha gente.
Aquilo não era nem comparativo:
era um superlativo absoluto.
Foi se aproximando dos dois,
com aquela coisa maiúscula,
com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.
Foi chegando cada vez mais perto,
comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo,
propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal,
penetraria ao gerúndio do substantivo,
e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo,
vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa,
pensando em seu infinitivo,
resolveu colocar um ponto final na história:
agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo,
jogou-o pela janela e voltou ao seu trema,
cada vez mais fiel à língua portuguesa,
com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.



Outubro 9, 2009